Uma máquina do tempo para imaginar infâncias livres

Uma máquina do tempo para imaginar infâncias livres

Exibição do filme “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, reuniu público para debater os direitos de meninas, mulheres e pessoas que gestam, destacando a importância das políticas públicas de proteção, acolhimento e autonomia reprodutiva.

Na última terça-feira, 29 de setembro de 2026, o CineFLAES realizou uma sessão especial em alusão ao 28S – Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe. A atividade reuniu participantes no Instituto Fênix, em Vitória (ES), para assistir ao documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, e conversar sobre os temas Infâncias e Justiça Reprodutiva.

O filme acompanha crianças e adolescentes do sertão do Piauí, especialmente meninas, explorando suas brincadeiras, curiosidades, sonhos e imaginação. A obra convida o público a reconhecer a infância não apenas como uma etapa de preparação para a vida adulta, mas como um direito que precisa ser protegido e garantido por meio de políticas sociais e ações concretas de enfrentamento às desigualdades e violências.

Infâncias e Justiça Reprodutiva: o direito de viver a infância

A discussão proposta pelo CineFLAES parte de uma realidade urgente: a violência sexual e a maternidade precoce continuam afetando profundamente a vida de meninas brasileiras, especialmente meninas negras e em situação de vulnerabilidade social.

Dados apresentados na mobilização destacam a dimensão desse cenário. No Brasil, mais de 84 mil casos de estupro são registrados por ano. Desse total, 60,3% das vítimas são crianças de até 13 anos, e 57,1% são meninas negras.

Entre 2019 e 2023, 82.604 crianças de 8 a 14 anos deram à luz no país. Isso representa, aproximadamente, uma criança se tornando mãe a cada 38 minutos. Cerca de 70% dessas crianças são negras.

As consequências da maternidade precoce também podem comprometer a trajetória educacional, profissional e pessoal dessas meninas. Os dados compartilhados durante a mobilização apontam que 83% das jovens que engravidaram na infância ou adolescência precisaram deixar o trabalho ou perderam oportunidades profissionais em razão das responsabilidades de cuidado com os filhos.

Esses números evidenciam a necessidade de políticas públicas integradas que garantam proteção contra a violência sexual, acesso à saúde, educação, assistência social e acolhimento. Falar em Justiça Reprodutiva é defender o direito de meninas, mulheres e pessoas que gestam à autonomia sobre seus corpos e seus projetos de vida.

É garantir que meninas possam ser crianças: brincar, estudar, sonhar e construir seus futuros sem serem submetidas à violência ou à maternidade forçada.

Cinema, diálogo e mobilização coletiva

A sessão especial contou com um debate após a exibição do filme, com a participação de Emilly Marques, ampliando a reflexão sobre os desafios para a efetivação dos direitos reprodutivos e a importância da mobilização social na defesa da vida e da autonomia das mulheres.

A atividade também integrou a mobilização pela vida das mulheres e abriu espaço para o diálogo sobre o compromisso do poder público com a garantia de direitos. Durante o encontro, foi destacada a importância das candidaturas que assinaram a carta-manifesto da Frente Nacional pelo Aborto Legal e Seguro (FNPLA), reafirmando a urgência de políticas comprometidas com a autonomia e a proteção de meninas e mulheres.

Mais do que uma sessão de cinema, o encontro foi um espaço de escuta, troca e construção coletiva. Por meio do audiovisual, o CineFLAES reafirma a potência da cultura como ferramenta de sensibilização, formação política e defesa dos direitos humanos.

Seguimos juntas pela vida das mulheres

A realização da sessão especial do 28S reforça a importância de criar espaços de encontro que articulem cultura, informação e mobilização política. Defender a Justiça Reprodutiva é defender o acesso a direitos, o enfrentamento das desigualdades e a possibilidade de que meninas, mulheres e pessoas que gestam tenham autonomia para decidir sobre seus corpos e suas vidas.

O CineFLAES agradece a todas as pessoas que participaram da atividade e contribuíram para fortalecer essa luta. Um agradecimento especial ao Instituto Humaniza Brasil, que acolheu a iniciativa e abriu suas portas para o encontro, e às candidaturas que assumiram publicamente esse compromisso por meio da assinatura da carta-manifesto da FNPLA.

Que o cinema continue sendo uma ferramenta para ampliar vozes, provocar reflexões e construir outros futuros possíveis. Seguimos juntas, porque garantir o direito à infância e à autonomia reprodutiva é também defender uma sociedade mais justa, livre de violências e comprometida com a vida das mulheres.

Ficha técnica e realização

Realização: Cine Por Elas e FLAES Verde.

Apoio: Descoloniza Filmes, Instituto Humaniza Brasil e Eliza Capai.

Local: Instituto Fênix – Escadaria Acyr Guimarães, 33, Centro, Vitória (ES).

Fotografia: Demetrius Julice.

Filme exibido: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai.

Tema: Infâncias e Justiça Reprodutiva — Sessão Especial 28S.

Cine Por Elas

Cine Por Elas

O coletivo Cine Por Elas nasceu em Dezembro de 2020, com objetivo de trazer através do cinema, arte e cultura visibilidade às diversas lutas das mulheres.

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